Infertilidade conjugal

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A infertilidade conjugal, que afeta um em cada seis casais*, pode transformar o sonho da parentalidade em angústia. Ciclos de frustração, tratamentos caros e a pressão social só agravam a dor, minando a autoestima e a relação. Entenda os principais aspectos envolvidos e os tratamentos disponíveis.

O que é infertilidade conjugal?

A infertilidade conjugal é definida como a incapacidade de um casal, composto por uma pessoa com vulva e uma pessoa com pênis, de engravidar após 12 meses de relações sexuais sem proteção. A frequência ideal de relações sexuais para otimizar as chances de concepção é de duas a três vezes por semana, especialmente durante o período fértil da pessoa com vulva. A partir de agora, no texto, consideraremos ‘mulher’ a pessoa com vulva e ‘homem’ a pessoa com pênis.

É importante ressaltar que a infertilidade é um problema que afeta o casal, e não apenas um dos parceiros. A investigação e o tratamento devem ser abordados de forma conjunta, considerando os fatores de ambos. A avaliação inicial geralmente envolve uma conversa detalhada sobre o histórico médico e reprodutivo de ambos os parceiros, além de exames físicos básicos.

Quais as causas?

As causas da infertilidade conjugal podem ser divididas em fatores femininos, fatores masculinos, fatores combinados e infertilidade sem causa aparente (ISCA). Entender a causa específica é crucial para direcionar o tratamento mais adequado.

  • Fatores Femininos: 

As causas da infertilidade feminina estão relacionadas a problemas de ovulação, nas tubas uterinas, fatores uterinos e cervicais.

  • Fatores Masculinos: 

As causas da infertilidade masculina são varicocele, problemas hormonais, infecções, fatores genéticos e hábitos de vida.  

  • Fatores Combinados

Em alguns casos, a infertilidade conjugal é causada por uma combinação de fatores femininos e masculinos. Por exemplo, a mulher pode ter SOP e o homem pode ter varicocele.

  • Infertilidade Sem Causa Aparente (ISCA)

Em cerca de 10% a 15% dos casais inférteis, todos os exames são normais. Nesses casos, a infertilidade é classificada como ISCA. Acredita-se que fatores como a qualidade do óvulo, a fertilização e a implantação do embrião podem estar envolvidos, mesmo que não sejam detectados pelos exames convencionais. O tratamento para ISCA pode envolver a inseminação intrauterina (IIU) ou a fertilização in vitro (FIV).

Quais os tipos?

A infertilidade conjugal pode ser classificada em dois tipos:

  • Infertilidade Primária: Quando o casal nunca conseguiu engravidar.
  • Infertilidade Secundária: Quando o casal já teve uma gravidez anterior, mas não consegue engravidar novamente. A infertilidade secundária pode ser causada por fatores que surgiram após a primeira gravidez, como endometriose, obstruções nas tubas uterinas ou problemas com o sêmen.

Quais os tratamentos para infertilidade conjugal?

Os tratamentos para infertilidade conjugal variam de acordo com a causa da infertilidade e podem incluir:

  • Coito programado ou Indução da Ovulação com acompanhamento ultrassonográfico: Para mulheres com problemas de ovulação, como SOP. A indução da ovulação pode ser realizada com medicamentos como o clomifeno ou o letrozol.
  • Inseminação Intrauterina (IIU): Colocação de sêmen processado diretamente no útero da mulher, aumentando as chances de fertilização. A IIU é geralmente realizada em conjunto com a indução da ovulação.
  • Fertilização In Vitro (FIV): Coleta de óvulos da mulher e fertilização com espermatozoides em laboratório, seguida da transferência dos embriões para o útero da mulher. A FIV é uma técnica de reprodução assistida mais complexa e eficaz, indicada para casos de infertilidade mais graves, como obstruções nas tubas, endometriose avançada, infertilidade masculina grave, falhas de tratamentos anteriores ou até idade avançada da mulher. A FIV pode envolver diferentes técnicas, como a injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), em que um único espermatozoide é injetado diretamente no óvulo.
  • Doação de Óvulos ou Sêmen: Em casos de falência ovariana prematura, idade materna avançada ou ausência de espermatozoides. A doação de óvulos ou sêmen pode ser uma opção para casais que não conseguem ter filhos com seus próprios gametas.
  • Cirurgia: Para correção de varicocele, endometriose (se indicação cirúrgica) ou problemas uterinos. A cirurgia pode ser realizada por laparoscopia ou histeroscopia.

É importante lembrar que cada caso é único e que o tratamento deve ser individualizado, levando em consideração as necessidades e as expectativas do casal. O sucesso do tratamento depende de vários fatores, como a idade da mulher, a causa da infertilidade, a qualidade dos óvulos e espermatozoides ou mesmo a decisão do casal por um tratamento mais eficaz.

Conclusão

A infertilidade conjugal é um desafio complexo que afeta muitos casais, mas com o diagnóstico correto e o tratamento adequado, o sonho de ter filhos pode se tornar realidade. 

referências